18 junho 2008

mas que é isso de se achar que a vida se fala?
.
é isso. estou transformar-me no que não quero. e posso mudar? posso parar o carro que já vai na estrada, assim? claro, a resposta é fácil de achar e difícil de fazer, como todas as coisas boas.

mas 'tá difícil isso de correr atrás do bem.

16 junho 2008

agora, (ao Variações)

tudo vai caíndo rápido, correndo na pressa de não sair do lugar. tudo corre, salta, corre e gira em busca do tédio da manutenção do estado das coisas. em mim. as cidades e os países vão caíndo com as mulheres e os homens e as crianças e com eles as oportunidades de eu amar. tudo se vai com a rajada gelada da não-mudança. a mudança precisa de tempo, o tédio come o tempo, devagar. e é isso que vai acontecendo aos meus ventos de mudança, vão sendo fechados num frasco, tapados pela força de não fazer nada. tudo, não só à minha volta mas também nas minhas entranhas mais sujas, luta incessantemente para que eu seja quem sou e não quem quero ser. "a culpa é da vontade", que nestes tempos vai passando por mentirosa.

13 junho 2008

tu consegues que eu pense amor. penso amor que queria ser, mas que sozinho não sou.


calada.

28 maio 2008

www.fogefogebandido.com



é já no domingo que sai. foge foge bandido : livro e dois cd's. lá vem ele outra vez. o site já promete.

27 maio 2008

quem canta, seus males encanta

"sem você sou pá furada"
los hermanos
Dóis-me pa caraças.

23 maio 2008

é o amor que quero, é do amor que fujo.
é a eternidade que busco, é da eternidade que fujo.
mas, quando tenho sede ou fome,
não penso, não ando, antes de comer ou beber.

o corpo busca e encontra, quer e abraça.
a alma busca e perde, quer e foge.
e de que serve o corpo, quando a minha jornada é em busca
da alma?

22 maio 2008

tiro




aqui estou eu na corrida, mas só pela força do tiro. nunca fui grande atleta, e ainda p'ra mais, levo o coração. vou perder, ja sei. perder, perder, perder. mas oiço o tiro na mesma, sinto-o rebentar o ouvido e cheiro a sua pólvora, sinto o vento a bater na cara com força, para sempre. o corpo a cansar e a dizer que não à mente que quer ir. corro para ganhar, mas levo o coração ( e o mal do coração é que não gosta do pódio).

13 maio 2008

cala-te

o guillul disse, e precisas de ouvir isto.

"isto não é um tele-filme, aqui não há quem chore"

11 maio 2008

quem vê caras e corações

uma cara que sabe de nós, dói. os olhos que vêem o coração, ardem como se todo o corpo tivesse de ser rasgado para que se visse o fundo. um coração não se vê assim como a televisão. o coração não chora, o coração não diz. no coração, de todas as batidas, o sangue doer a correr nas veias, outras dão de beber ao corpo. os olhos e as mãos que vêem e agarram corações fazem-no gritar, porque ele foi feito para estar cá no quente fundo do corpo. mas quem se quer limitar à natureza assim? mostrar e dar o coração arde. mas o que arde cura.

my blues went green


08 maio 2008

O que os meus phones voltaram a tocar...

O Jantar do Bispo

- Padre - dissera o Dono da Casa -, eu pensava que o seu ofício era ocupar-se das rezas e não das contas. Os problemas morais pertencem-lhe. Os problemas práticos são comigo. Peço-lhe que deixe César ocupar-se do que é de César. Eu na sua Igreja não mando: só assisto e apoio. O problema que estamos a discutir é meu, é do meu mundo, é um problema material e prático.
- Da nossa própria fome - respondeu o Padre de Varzim - podemos dizer que é um problema material e prático. A fome dos outros é um problema moral.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Contos Exemplares

06 maio 2008

Agora é só comigo, agora só depende de mim.
Não há mais nada a dizer, não há que desenhar contas ou devaneios. Depende de mim e só de mim. Agora sou eu, o escuro e eu. Aqui tento encontrar-me sozinho porque foi sozinho que me perdi, que me tornei nisto. Aqui, neste sítio desconhecido, há a dança da escuridão que me enganou. A escuridão que me provoca e que me arranha, que me torna instintivo, animalesco, bruto, feio, sujo, preto. Aqui sou tão preto que me perco na multidão; na multidão também tão preta e perdida que faz me ser transparente. Preto e transparente. Sozinho no meio da multidão que não me vê, mas que é preta, como eu.

arquivo